Visualizações

93

O Desenvolvimento Científico Contemporâneo da Psicologia no Brasil

Shakespeare já sabia que os delírios têm sentido. Aludindo aos desvairados discursos de Hamlet, Polonius diz: “Desvario sim, mas tem seu método” (Hamlet, ato II, cena ii). Mas naturalmente os homens de ciência nunca escutam os poetas [...]”. 

Testemunhei, nos últimos dolorosos dias da humanidade — assolados pela pandemia de coronavírus (COVID-19) — o surgimento de um escrito inédito: O Desenvolvimento Científico Contemporâneo da Psicologia no Brasil, talhado e esculpido na Atena Editora. Na sua composição mais íntima, contamos com a experiência, pesquisa e práxis pedagógica e esperança de docentes deste “vasto mundo” palavrado Brasil. É como diz João Cabral de Melo Neto, “[...] um galo sozinho não tece uma manhã [...]”. 

Possivelmente no outono de 1928, a fenomenóloga contemporânea alemã Edith Stein — discípula de Edmund Husserl — refletiu na conferência intitulada Os Tipos de Psicologia e seu Significado para a Pedagogia (De Typen der Psychologie und ihre Bedeutung für die Pädagogik) que se tomarmos em mãos os manuais de psicologia encontraremos dentro de um mesmo livro diversos capítulos que por objeto e método pouco têm em comum entre eles. Por “psicologia” são designadas direções de investigação muito distintas, procedentes de um modo paralelo desde a Antiguidade e dos quais predominou uma vez um, outra vez outro, de acordo com o momento. Historicamente, Edith Stein distingue três tipos fundamentais: [1] Psicologia metafísica: doutrina da essência da alma. [2] Psicologia empírica: doutrina dos fatos da consciência. [3] Caracterologia: antropologia prática.  

No “contrato social” estabelecido após a Revolução Francesa, o Estado conferiu à ciência o monopólio do fenômeno da loucura. Politicamente, o discurso psiquiátrico — falacioso (doxa) — fundou-se no controle da irracionalidade. No Estado de Minas Gerais (Brasil) — em nome da razão — pelo menos 60 mil seres humanos morreram entre os muros do Hospital Colônia de Barbacena, taxados de “loucos”:

[...] 70% não tinham diagnóstico de doença mental. Eram epiléticos, alcoolistas, homossexuais, prostitutas, gente que se rebelava, gente que se tornara incômoda para alguém com mais poder. Eram meninas grávidas, violentadas por seus patrões, eram esposas confinadas para que o marido pudesse morar com a amante, eram filhas de fazendeiros as quais perderam a virgindade antes do casamento. Eram homens e mulheres que haviam extraviado seus documentos. Alguns eram apenas tímidos. Pelo menos trinta e três eram crianças. 

No século XX, a Lei nº 4.119, de 27 de agosto de 1962, regulamentou a profissão de psicólogo(a) no Estado brasileiro. Horizonta-se, aqui-agora, diante dos nossos “olhos de ver”, um tratado de psicologia, diversidade e contemporaneidade, que põe em cena textos sobre a formação-atuação — humanizada — de profissionais de psicologia, desvelada no século XXI. Por fim, #Colônianuncamais!

Empaticamente, 

Prof. Dr. Everaldo dos Santos Mendes (PUC-Rio)

Psicólogo: CRP-03/3212

 

1  SILVEIRA, Nise. Imagens do inconsciente. Petrópolis, RJ: Vozes, 2015, p. 100.

2  MELO NETO, João Cabral de. Morte e vida severina e outros poemas. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007, p. 345.

3  STEIN, Edith. Los Tipos de Psicología y su Significado para la Pedagogía. In: STEIN, Edith. Obras completas, IV: escritos antropológicos y pedagógicos [magistério de vida cristiana, 1926-1933]. vol. 4. Trad. Francisco Javier Sancho, OCD; José Mardomingo; Constantino Ruiz Garrido; Carlos Díaz; Alberto Pérez, OCD; Gerlinde Follrich de Aginaga. Vitoria: El Carmen; Madrid: Espiritualidad; Burgos: Monte Carmelo, 2003.

4  BRUM, Eliane. Prefácio: os loucos somos nós. In: ARBEX, Daniela. Holocausto Brasileiro: Genocídio — 60 mil mortos no maior hospício do Brasil. São Paulo: Geração, 2013, p. 14.

O Desenvolvimento Científico Contemporâneo da Psicologia no Brasil

DOI: 10.22533/at.ed.410212302

ISBN: 978-65-5706-841-0

Palavras chave: 1. Psicologia. I. Mendes, Everaldo dos Santos (Organizador). II. Título.

Ano: 2021

Autores

  • ADELICE JAQUELINE BICALHO
  • ADRIANA MARA PIMENTEL MAIA PORTUGAL
  • ALANA GÂNDARA DE JESUS FERREIRA
  • ANA CAROLINA CARMO FERNANDES
  • BEATRIZ SALLES SEITZ RAMOS
  • BRUNA BENÍCIO RODRIGUES
  • CARLA MENDES SANTOS TEIXEIRA
  • CARLA WALDECK SANTOS
  • CAROLINE PALMIERI SAMPAIO
  • DANIELLE RIBEIRO CARDOSO
  • DANIELLE SORAYA DA SILVA FIGUEIREDO
  • EDINA DAIANE ROSA RAMOS
  • EDUARDA BRUNA REIS
  • FERNANDA DE CASSIA DANELUTI GASPARETTO SCHEMUDA
  • FERNANDA GONÇALVES DA SILVA
  • FERNANDA LALESKA DA SILVA FERNANDES
  • FERNANDA LÚCIA PEREIRA COSTA
  • GUSTAVO HENRIQUE DIONISIO
  • HÉLIO SOCHODOLAK
  • HENRIQUE ANDRADE BARBOSA
  • IAMARA DA SILVA PEREIRA
  • JOICY ANNE SILVA
  • JOSEFA LUCIVÂNIA FEITOZA GONÇALVES
  • LAÍS LOPES AMARAL
  • LAURA LÍLIAN FERREIRA SILVA
  • LUIZ CARLOS BERNARDINO MARÇAL
  • MALBA THAÃ SILVA DIAS
  • MARIA MARCIA SOARES
  • MARITA PEREIRA PENARIOL
  • MAURO TADEU DE CENA KRAMPE JUNIOR
  • MILLENA DUARTE ROSA
  • MIRTES SANTOS OLIVEIRA
  • REGIANE LACERDA SANTOS
  • RICARDO PIMENTEL MÉLLO
  • TATIELE DOS SANTOS TELASKA
  • THIAGO MENEZES DE OLIVEIRA
  • VÍVIAN FERREIRA MELO
  • ZUNEIDE BATISTA PAIVA