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Poesia Indígena: Etnopoesia Apinayé

Este livro digital (e-book) de poemas fala do povo panhĩ Apinajé apresentando um pouco da sua cultura, identidade e, ainda, algumas das peculiaridade dos seus modos de vida e de territorialidades. Ressalto que este e-book é muito importante para mostrar nossa diversidade cultural e linguística, propondo uma valorização e em prol da manutenção da nossa língua e a conservação das ancestralidades do povo panhĩ Apinajé, por isso, afirmo que este livro se torna também um patrimônio material e imaterial.

Pensar a poesia como literatura indígena, é pensar a produção de poesias de modo amplo, porque para o povo panhĩ Apinajé a poesia está no canto, nos rituais, nas narrativas e na forma de ver e viver a natureza. Assim, os poemas contidos no presente volume trazem muitos dos sentimentos dos indígenas e das vivências nas aldeias, na escola indígena, revelando as emoções particulares de cada autor, mas que também podem ser coletivas.

A existência do povo panhĩ Apinajé revela os modos de ver, pensar, sentir, agir..., e ela vai construir uma história nossa, que mantém vivas as tradições étnico-culturais. 

Este e-book (livro digital) também é muito importante para o processo de ensino e de aprendizagem acerca da poesia, destaco que esta obra de literatura indígena auxilia grandemente o trabalho dos professores nas escolas indígenas (e não indígenas também), porque serve de apoio como material pedagógico e nós precisamos muito de obras que possibilitem um trabalho intercultural.

Além disso, na cultura panhĩ Apinajé os saberes são transmitidos de vários modos, no canto, na dança, nos rituais, nas narrativas, nas receitas de plantas e ervas medicinais, bem como na pajelança. Destaco ainda que os mais velhos ensinam por meio de rodas de conversa a cosmologia do nosso povo, que é explicada pelo Myyti (sol) e pela Mytwryyre (lua), que segundo os mais velhos, o sol e a lua se transformaram em pessoas que desceram à terra, pois estava tudo vazio, então eles resolveram criar todos os seres vivos e nãovivos.

E resolveram ainda criar as pessoas, por isso, plantaram sementes de cabaça numa roça. A roça já estava no ponto de colher, então cada um deles jogou suas cabaças na água e a partir daquele momento criou-se o ser panhĩ (que significa ser humano ou gente) Então, estes Myyti e Mytwryyre criaram as pessoas com toda sua organização sociocultural e cosmológica. Tudo isso podemos perceber nas atividades culturais atualmente, no ritual de toras grandes e entrega de enfeites etc.

O povo Apinajé esta territorializado no Tocantins – TO, na região de Tocantinópolis, com uma população de aproximadamente 3.000 mil indígenas e por volta de 55 aldeias.

É importante destacar que há duas escolas principais Tekator e Mãtyk, sendo que este projeto de poesia foi desenvolvido na primeira escola, envolvendo alunos e professores (indígenas e não-indígenas).

Afirmo ainda que a poesia Apinajé panhĩ está presente em todos as nossas configurações socioculturais, pois ela é pensada, vivida e elaborada a partir de elementos da nossa cultura. Porém, ressalto que a poesia está em nossa cosmologia, está em nossos modos de vida e na nossa língua, e essa língua indígena não é a mesma do Português.

Por isso, a nossa poesia indígena ela é elaborada e recriada para ser adaptada à língua portuguesa, mas os sentimentos que estão em toda a poesia traz, primeiramente, aspectos da língua, da nossa existência na língua e de todo o universo que a língua modela no nosso ser-existência indígena panhĩ Apinajé.

Júlio Kamêr R. Apinajé

Professor da escola indígena Tekator

Poesia Indígena: Etnopoesia Apinayé

DOI: 10.22533/at.ed.055212201

ISBN: 978-65-5706-705-5

Palavras chave: 1. Poesia Indígena. 2. Etnopoesia Apinayé. 3. Educação Escolar Indígena. 2. Pesquisa. I. Testa, Eliane Cristina (Organizadora). II. Albuquerque, Francisco Edviges (Organizador). III. Apinajé, Júlio Kamêr Ribeiro (Organizador). IV. Título.

Ano: 2021

Autores

  • ELIANE CRISTINA TESTA
  • FRANCISCO EDVIGES ALBUQUERQUE
  • JÚLIO KAMÊR R. APINAJÉ