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DO FORDISMO AO UBERISMO: reflexões e novos paradigmas para a organização produtiva e do trabalho na Era da Inovação

A disrupção gerada por novos modelos de negócios na Era da Inovação tem provocado verdadeiras transformações na forma como as organizações vem se (re)estruturando o que, por sua vez, refletem diretamente na organização produtiva do trabalho e em novos paradigmas organizacionais. No cenário de crise estrutural, emergem novas estruturas de produção de bens e serviços e novas práticas de exploração da força de trabalho, decerto, uma tentativa evidente do sistema capitalista em manter sua hegemonia e perpetuar seu controle sobre o tecido social. Das práticas fordistas, no início do século XX, ao Uberismo, expressão mais recente, que alude à extrema flexibilização e precarização do trabalho, neste século XXI, tem-se a evolução de uma lógica de valorização do capital e, sobretudo, de dominação na relação dialética entre capital-trabalho na geração de mais-valor. A partir de uma pesquisa teórico-bibliográfica de natureza essencialmente qualitativa, buscou-se analisar a evolução histórico-econômica dos sistemas de produção capitalista com vistas a compreender a sistemática e a dinâmica de transformação de tais modelos produtivos considerando cada momento histórico e, principalmente, verificar os principais efeitos no contexto social de bem-estar da força de trabalho. Os resultados permitiram entender que cada sistema produtivo teve sua gênese objetivada na necessidade contínua de valorização do capital e na apropriação de mais-valia, em detrimento de formas mascaradas de exploração do trabalho, discursos inflamados de melhoria na produtividade e na competitividade. O Uberismo, no capitalismo contemporâneo, mostra ser uma “nova estratégia” de acumulação capitalista, cuja face verdadeira encontra-se encoberta pelo discurso do empowerment, flexibilidade e autogestão. O sistema encontra-se em incubação nessa Era da Inovação e seu destino e sua sobrevivência parecem ainda serem incertos, porém, seus reflexos já são certos, evidentes e sentidos drasticamente pelo trabalhador e pela sociedade.

DO FORDISMO AO UBERISMO: reflexões e novos paradigmas para a organização produtiva e do trabalho na Era da Inovação

DOI: 10.22533/at.ed.14421080214

Palavras chave: Fordismo. Uberismo. Inovação. Flexibilização. Precarização.

Keywords: Fordism. Uberism. Innovation. Flexibility. Precarization

Abstract:

The disruption generated by new business models in the Innovation Age has caused real transformations in the way organizations have (re)structured themselves, which in turn directly reflect on the productive organization of work and new organizational paradigms. In the scenario of structural crisis, new structures of production of goods and services and new practices of exploitation of the labor force emerge, certainly an evident attempt by the capitalist system to maintain its hegemony and perpetuate its control over the social fabric. From Fordist practices, at the beginning of the 20th century, to Uberism, the most recent expression, which alludes to the extreme flexibilization and precariousness of labor, in this 21st century, there is the evolution of a logic of capital valorization and, above all, of domination in the dialectic relationship between capital and labor in the generation of surplus value. Based on a theoretical-bibliographical research of an essentially qualitative nature, an attempt was made to analyze the historical-economic evolution of capitalist production systems in order to understand the systematic and dynamic transformation of such productive models considering each historical moment and, especially, to verify the main effects in the social context of labor force welfare. The results allowed us to understand that each productive system had its genesis aimed at the continuous need for capital appreciation and the appropriation of surplus value, to the detriment of masked forms of labor exploitation, inflamed discourses of improvement in productivity and competitiveness. Uberism, in contemporary capitalism, shows itself to be a "new strategy" of capitalist accumulation, the true face of which is covered up by the discourse of empowerment, flexibility and self-management. The system is incubating in this Age of Innovation and its fate and survival still seem uncertain, but its reflexes are already certain, evident and drastically felt by the worker and society

Autores

  • RAILSON MARQUES GARCEZ
  • LEANDRO JOSÉ TEIXEIRA BARROS