O IMPACTO DOS GASTOS DISCRICIONÁRIOS DO GOVERNO BRASILEIRO NA TAXA DE JUROS

O impacto que a política fiscal pode causar na taxa de juros é um tema que vem sendo abordado por diversos autores nos últimos anos. A teoria é que aumentos dos gastos do governo impactam na demanda agregada, afetando o nível de produção e renda, sem consequente diminuição dos custos de produção (BARRO, 1981; DORNBUSCH; FISCHER, 1991; BARROS, 2012). Dessa forma, tal aumento acaba por gerar pressões inflacionários que serão combatidas via aumento nas taxas de juros (Regra de Taylor). São encontrados na literatura diversos modelos que buscaram explicar qual o impacto que os aumentos dos gastos do governo exercem sobre a taxa de juros. Porém, em sua maioria restringem-se a economias mais desenvolvidas como Estados Unidos e Europa. Existe, portanto, uma lacuna para trabalhos neste sentido para o caso brasileiro. Sendo assim, este trabalho tem como objetivo analisar o impacto causado pelo impulso fiscal – representado pelos gastos discricionários do governo – na taxa de juros do Brasil no período compreendido entre o primeiro trimestre de 1996 e o terceiro trimestre de 2017. Para tanto, utilizou-se de um modelo econométrico através de uma regressão linear via método dos mínimos quadrados ordinários. O resultado encontrado foi positivo, ou seja, um aumento nos gastos discricionários do governo gera um aumento na taxa de juros. Mais precisamente, um aumento em 1 ponto percentual no impulso fiscal acarreta em um aumento de 150 pontos base na taxa de juros, sendo este resultado em linha com outros encontrados em estudos semelhantes.

O IMPACTO DOS GASTOS DISCRICIONÁRIOS DO GOVERNO BRASILEIRO NA TAXA DE JUROS

DOI: 10.22533/at.ed.1551820127

Palavras chave: política fiscal; austeridade; taxa de juros.

Keywords: Fiscal policy; austerity; interest rate.

Abstract:

The impact of fiscal policy on interest rates is a topic that has been addressed by several authors in recent years. The theory is that increases in government spending impact aggregate demand, affecting the level of production and income, without a consequent decrease in production costs (BARRO, 1981; DORNBUSCH; FISCHER, 1991; BARROS, 2012). Thus, this increase ends up generating inflationary pressures that will be counteracted by an increase in interest rates (Taylor’s Rule). Several models have been found in the literature to explain the impact of increases in government spending on interest rates. Most, however, are restricted to more developed economies such as the United States and Europe. There is, therefore, a gap for works in this sense for the Brazilian case. As a result, the objective of this study is to analyze the impact caused by the fiscal impulse - represented by the discretionary spending of the government - in the Brazilian interest rate in the period between the first quarter of 1996 and the third quarter of 2017. For this, the model is based on a linear regression using the ordinary least squares method. The result was positive, that is, an increase in the discretionary spending of the government generates an increase in the rate of interest. More precisely, a 1 percentage point increase in the fiscal impulse leads to a 150 basis point rise in interest rates, a result in line with others similar studies.

Autores

  • Wagner Eduardo Schuster