Universidade Aberta para a Terceira Idade: A Emancipação Política em Espaços Educativos

Quando se lança um olhar sobre a sociedade e a sua organização, muitos
questionamentos emergem apontando para uma reflexão a respeito da condição
de vida do homem, como estabelece a relação com o outro, qual é o seu processo
formativo, bem como as influências da cultura, da educação, do trabalho, da alienação
e da ideologia para a consolidação deste sujeito.
Este olhar não permanece inócuo a partir do momento em que se observam
os resultados da interação do homem com o outro e com a sociedade. Diante desta
realidade, a fragmentação do sujeito e a sua marginalização tornam-se evidentes,
sinalizando o quanto está cada vez mais distante da capacidade de interpretação do
meio em que vive.
Imerso neste contexto, o sujeito vai se afastando de sua humanidade e
desagregado desta condição humana torna-se cada vez mais alienado, seja em
sua atividade laboral, nas questões religiosas e filosóficas, no campo artístico e
na política. Neste contexto, o sujeito é alienado ideologicamente, pois a partir do
contexto social no qual está inserido, ele assume a ideologia dominante e a reproduz.
Tal reprodução da ideologia ocorre em diferentes contextos como a escola, os meios
de comunicação de massa e a cultura.
Na sociedade capitalista a marginalização é recorrente, muitas vezes diversos
grupos sociais em condição de vulnerabilidade são excluídos, como os idosos, crianças,
negros, indígenas, entre tantos outros. No caso dos idosos, são considerados em
dupla vulnerabilidade, pela questão da idade e por refletirem situações de exclusão,
marginalização e pobreza. Diante dos valores da classe dominante nesse sistema,
excluem-se todos aqueles que são considerados como improdutivos ou de alguma
maneira possam significar um “peso social”.
Algumas ações se estruturam para amenizar este processo. Entretanto, são
apenas paliativas e não representam uma possibilidade real de mudança. Dentre
estas ações, pode-se destacar o assistencialismo, que tem sua importância no
que diz respeito às questões de cuidado emergencial, mas não se pautam numa
reflexividade sobre a condição humana na sociedade capitalista.
Emergem então as reflexões sobre a organização social e quais são as
possibilidades de superação da sociedade capitalista, bem como da extinção das
desigualdades sociais. O processo que se evidencia como possibilidade para a Trata-se de uma emancipação qualitativa, que não se limita à formação individual,
mas atua para a consolidação de uma nova sociedade.
Frente a esta configuração atual, surge a possibilidade da emancipação
política, que embora signifique a não superação da sociedade de classes, a ideologia
e a alienação, propicia ao sujeito uma liberdade (limitada), mas que vai além do
conformismo diante do sistema atual.
A emancipação política não representa um estágio inicial para a emancipação
humana. É uma liberdade limitada, que separa o ser privado do ser coletivo, porém
não significa apenas a superação da pobreza ou melhoria da qualidade de vida.
Representa a capacidade de o indivíduo interpretar e compreender a totalidade em
que vive. Volta-se para o entendimento e o processo de conscientização do sujeito
referente ao trabalho, a alienação, a ideologia e ao capitalismo.
A partir do momento em que o sujeito adquire conhecimentos e se aproxima
da participação no meio social, ele começa a adquirir representatividade e refletir
sobre o que lhe é impossibilitado. Neste sentido, a educação assume um importante
papel para que a emancipação política possa ocorrer, mesmo sendo um processo
contraditório e que colabora para a reprodução da sociedade vigente.
A educação contribui para que o sujeito tenha acesso aos conhecimentos
socialmente e historicamente acumulados, bem como alicerce seu pensamento e sua
ação na cultura, na política, na história e na economia. Esta condição permite que o
sujeito obtenha avanços em sua vida privada, mas também propicia que desenvolva
as suas relações sociais e atue de forma concreta em seu coletivo.
Dentre os grupos marginalizados e que necessitam de uma importante ação
educativa para avançar em relação à compreensão da sociedade capitalista, bem
como a ideologia e a alienação, pode-se destacar o grupo dos idosos.
No Brasil, com uma população de cerca de 29 milhões de pessoas (13,84%
– IBGE, 2018), os idosos representam um grupo que sofre com discriminações,
marginalização e vulnerabilidade. Para além do assistencialismo e a garantia de
direitos humanos e sociais, o idoso merece participar de um processo de formação,
em que ele possa ter consciência de si e do meio em que vive, bem como das
relações que estabelece e das atividades que desenvolve (ou desenvolveu).
Neste sentido, a educação significa uma condição indispensável para que
o idoso possa se integrar ao meio em que vive, participando e atuando como um
agente ativo. Considerando tais características, a educação permanente tem um
importante destaque, ao se colocar como processo contínuo e que acompanha a
vida do sujeito.
A educação permanente possibilita um olhar frente à totalidade, em que o
sujeito passa a dimensionar quem é e quais relações estabelece, num processo
emancipatório, que visa à formação do homem de modo integral, buscando a
superação da fragmentação. Embora tal processo seja complexo, podendo possibilitar pequenos avanços,
a educação representa um caminho para a conquista de espaço pelo sujeito. Devido
às limitações da sociedade capitalista, muitas vezes, estes avanços estarão atrelados
às questões políticas, com a concessão de direitos sociais, o que pode representar
melhorias na qualidade de vida do sujeito.
No que diz respeito ao idoso, seus direitos sociais estão garantidos em
legislação própria, como o Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/03). No que diz respeito
à educação, esta legislação, prescreve no Capítulo 5, nos Artigos n° 20 ao nº 25, que
o idoso tem direito à educação, respeitando-se as características da idade. O Poder
Público criará oportunidades de acesso à educação, com cursos especiais para
integração à vida moderna, além de apoiar a criação de Universidade Aberta para a
Terceira Idade (UATI)1 e publicações com conteúdo adequado a esta população.
A inserção dos idosos em espaços educativos vem sendo assumida pelas
universidades, por meio de diversos projetos ou cursos extensionistas, que atendam
as demandas deste segmento etário.
Estas ações são pautadas no princípio da educação permanente, aliada ao
papel extensionista das universidades, os quais são importantes agentes facilitadores
do desenvolvimento educacional, articulando-se com a sociedade, e realizando a
difusão de conhecimentos e conversão dos conteúdos em uma força viva capaz de
elevar o nível cultural do sujeito idoso.
Tais ações organizam-se para estimular o idoso a desenvolver-se enquanto
sujeito, mas também participar ativamente da vida social, percebendo o mundo
em que está inserido, relacionando-se com as outras gerações, buscando novas
atividades e novos papeis sociais. Logo, estas ações, que se desenvolvem por
meio de projetos, cursos ou programas de extensão, visam a formação de um idoso
com mais autonomia, melhor qualidade de vida e que esteja instrumentalizado com
conhecimentos.

Universidade Aberta para a Terceira Idade: A Emancipação Política em Espaços Educativos

DOI: 10.22533/at.ed.144192511

ISBN: 978-85-7247-814-4

Palavras chave: 1. Idosos – Condições sociais – Brasil.

Ano: 2019

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