Homocultura e as novas formas de Ler a Sociedade

Ilustre leitor e leitora, essa obra que vos apresento é uma construção coletiva,
feita por várias mentes brilhantes que se dedicaram para produzir esses textos que
reflete parte de seus conhecimentos. O resultado é um livro transdisciplinar, elabora
por especialistas sensíveis a temática, esse volume engloba as áreas da educação,
da saúde e do direito.
O termo Homocultura, aborda mais do que diversidade cultural e sexual, associa
o discurso teórico e político a uma consciência histórica. As investigações sobre a
Homocultura, foram intensificadas no Brasil no início do terceiro milênio, estimuladas
pelas discussões proporcionadas por Mário César Lugarinho e José Carlos Barcellos.
A Homocultura proporciona novos comportamentos sociais, intervenções e ações, que
refletem em discussões, tais como: os direitos homoafetivos; a homoparentalidade, as
identidades homoeróticas; a relação etnia-sexualidade, entre outras possibilidades.
Coube a mim o desafio de compilar esta obra que, estabelecerá certamente
um diálogo com a sociedade. Esse livro além do fator teórico, apresenta um fator
político, uma vez que os pesquisadores abordam temas relacionado as sexualidade,
gêneros, machismos e etnias, constituídos socialmente como um tabu. Os esforços
destes vinte e cindo pesquisadores, refletem um exercício de alteridade, posicionamse
no lugar outro, para nos apresentar novas perspectivas de análise.
Para diminuir algumas limitações teórico-metodológicas as contribuições dos
autores e das autoras estão agrupadas em seções, de modo que a primeira seção
abordará ensaios teóricos que fornecem embasamentos para a compreensão do
tema Homocultura, permeando pelas Ciências Sociais, pela Psicologia e pelo Direito;
a seção seguinte apresenta estudos empíricos, agrupados pelas áreas da Saúde,
das Ciências Sociais, do Direito, e da Educação, que foram desenvolvidos na região
sudeste, norte e nordeste do país.
Iniciamos o livro com o estudo bibliográfico realizado por Vinicius Santos
(Capítulo 1) nos faz refletir sobre a constituição de uma Esfera Pública LGBT, para
tanto o autor faz uma digressão acerca da democracia deliberativa apoiando-se em
dezenas de teóricos das Ciências Sociais. O estudo bibliométrico de Juliana Costa e
Elaine Fernandez (Capítulo 2), que direciona a pesquisa para a relação lesbianidades
e prostituição sexual, as autoras encontraram no portal Capes, três teses e quatro
dissertações defendidas entre os anos de 2003 e 2012, o que possibilita discorrer
sobre a pouca produção cientifica existente. Paola Cantarini (Capítulo 3) contribui ao
discorrer sobre o Estado Democrático de Direito, a autora relaciona a arte e o direito
a partir do sociólogo Boaventura de Sousa Santos, seu artigo aborda um direito
democrático e transgressor. A mesma autora (Capítulo 4) expõe a necessidade do
resgate de um vínculo transcendental das instâncias sociais, onde o Direito aplica
novas interpretações da sociedade, adotando os princípios da proporcionalidade,
de modo interdisciplinar agregando os saberes do Direito, da Filosofia e da Arte. Abordando as mulheres encarceradas Yohana Monteiro (Capítulo 5) tece um breve
panorama sobre a realidade dos presídios, ponderando que estes espaços de
dominação sob a égide do panóptico, vigia e estigmatiza cada vez mais a mulheres
negras e pobres.
A segunda seção desta obra apresenta tênues subdivisões As abordagens
da Saúde iniciam-se no estudo de Rosângela Vera (Capítulo 6), que inclui as
lentes das Ciências Sociais para apresentar os direitos sexuais e reprodutivos das
mulheres residentes em uma comunidade quilombola, localizada no interior do
Maranhão, que sofrem com a ausência de políticas públicas de saúde. Severino
Leão, Elzomar Freire e Karoline Dias (Capítulo 7) identificam que a cultura machista
reflete na falta de cuidado com a saúde masculina, identificam que perdura entre
os homens o preconceito relacionado ao exame do toque retal, e, através de uma
campanha educativa incentivaram centenas de pacientes a realizar o procedimento
para identificar a neoplasia. Através da 12ª Jornada Nordestina de Cidadania Plena
LGBT, ocorrida em Picos (PI), Glauber Macedo, Martha Sousa, José Sobreira e
Paulo Souza Junior (Capítulo 8), tecem reflexões que abordam temas relacionados
aos processos decoloniais e política públicas para a população LGBT e em especial
à saúde de pessoas Trans. Por meio do mesmo evento. Sob a ótica do Direito e
das Ciências Sociais, José Morais, Geane Borges, Samuel Hora e Wendy Morais
(Capítulo 9) produzem um diálogo com o leitor, e também, com quatro entrevistados
que participaram do referido evento.
A última seção retrata os artigos sobre a educação, neste espectro Máira
Sarmanho e Roosyelma Santos (Capítulo 10) desenvolvem pesquisa acerca de
gênero e sexualidade nas percepções dos professores e estudantes de uma escola
pública de Bélem (PR). Luiz Luz e Ana Rufino (Capítulo 11) entendem a dificuldade
em discutir no ambiente escolar as questões de gênero e sexualidade, buscam em
teóricos queer uma explanação para que se efetive essa prática na educação infantil.
As reflexões de André Barbosa, Angela Venturini e José Freitas (Capítulo 12) visam
contribuir para criação de um pensamento descolonizado, por se enquadrar numa
Instituição de Ensino Superior, os autores refletem sobre sua identidade, formação e
local de fala. Encerrando o livro, encontra-se o artigo de Fernanda Webering e André
Barbosa (Capítulo 13), inquerem treze pró-reitores de uma universidade federal a
respeito de cultura, política e prática de inclusão, constatando a invisibilidade das
pessoas trans no meio acadêmico.
Pensar e repensar conceitos e pré-conceitos pode ser viabilizado por meio
desta obra, que anseio contribui para que vocês, leitores e leitoras, possam utilizalas
em suas atribuições sobre cultura e modos de coligir o mundo.
Christopher Smith Bignardi Neves

Homocultura e as novas formas de Ler a Sociedade

DOI: 10.22533/at.ed.444190611

ISBN: 978-85-7247-744-4

Palavras chave: 1. Homocultura. 2. Homossexualismo – Aspectos sociais.

Ano: 2019

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