Geografia Agrária

Geografia Agrária

DOI: 10.22533/at.ed.368192506

ISBN: 978-85-7247-436-8

Palavras chave: Geografia agrícola – Pesquisa; Movimentos sociais – Brasil; Trabalhadores rurais – Atividades políticas.

Ano: 2019

A Coletânea “Geografia Agrária” publicada pela Atena Editora está organizada
a partir de uma breve divisão da diversidade regional brasileira e latinoamericana.
Trata-se de uma leitura oriunda de diferentes pesquisadores e pesquisadoras para
compreensão dos dilemas, conflitos e alternativas materializadas no campo.
O primeiro capítulo da Coletânea versa sobre os Conflitos por terra e território
na obra cinematográfica de Adrian Cowell: uma Cartografia sangrenta da Amazônia,
ou seja, remete apresenta a interpretação sobre a mesorregião Sudeste do Pará
à luz da teoria dos conflitos agrários para cartografar tais conflitos, resistências e
alternativas advindas das lutas travadas, sobretudo, pelo campesinato nesses registros
cinematográficos que tratam da Amazônia Legal brasileira.
Os capítulos 2 ao 6 representam o Nordeste brasileiro e sua diversidade e
conflitos inerente ao campo e as práticas socioterritoriais. As discussões versam
sobre os conflitos socioambientais: o caso de Suape no litoral sul de Pernambuco,
a institucionalização do Programa Nacional de Alimentação Escolar como geração
de renda para as mulheres do meio rural: um estudo de caso das Mangabeiras
em Japaratuba-SE, Territórios da Cidadania Alagoanos do agreste e bacia leiteira,
Caminhos para regularização fundiária de assentamentos em terras públicas e
estatais em áreas pequenas e médias no entorno de centros urbanos: experiência de
Vitória da Conquista-BA e a Reforma agrária no Brasil e a questão fundiária: conflitos
e resistências a partir de uma experiência em Pernambuco.
Já os capítulos 7 e 8 debatem respectivamente, os distritos e aglomerados rurais
de Buritizeiro – MG a partir da possível emancipação e os Conflitos por terra e água no
rio São Francisco a partir de uma fecunda análise da territorialidade dos pescadores(as)
a partir dos intensos processos de resistências ao buscar a reapropriação física dos
territórios pesqueiros.
Ainda sobre os estudos e pesquisas inerentes ao Centro-Sul, os capítulos 9 ao 12,
tratam da Reestruturação do território agrário de Nova Iguaçu – RJ, Neoextrativismo
e estrutura fundiária: considerações sobre o desenvolvimento desigual no Planalto
Norte de Santa Catarina – Brasil, Posseiros e Assentados da Ribeirão Bonito e o MST
no Pontal do Paranapanema-SP e A linha de desmontagem no frigorífico de frango: o
trabalho e a saúde dos trabalhadores da Nutriza em Pires de Rio-GO.
Por fim, o último capítulo da Coletânea, intitulado – A questão agrária na origem
das migrações haitianas apresenta uma leitura sobre o país caribenho e a sua
trajetória marcada pelas migrações. Nota-se ainda uma interpretação sobre a história
de uma revolução de ex-escravos que forçou a abolição da escravidão e primeiro país
independente da América Latina e suas marcas e desdobramentos na questão agrária.
Assim, espera-se que os leitores e leitoras possam dialogar com os ensaios e
pesquisas em consonância com a fecunda e atual arguição do geógrafo Ariovaldo
Umbelino de Oliveira (2003) ao afirmar que “o campesinato no Brasil, segue sua já longa marcha. Caminham em busca do futuro. Caminham lutando contra o capitalismo
rentista que semeia a violência e a barbárie”. Por isso, urge debater e construir uma
Geografia Agrária Crítica e Comprometida com as mudanças sociais, ambientais e
territoriais em um país em constantes crises e crimes contra a democracia.
Gustavo Henrique Cepolini Ferreira

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