Ensino-Aprendizagem e Metodologias

Ensino-Aprendizagem e Metodologias

DOI: 10.22533/at.ed.276192506

ISBN: 978-85-7247-427-6

Palavras chave: Aprendizagem; Educação – Pesquisa; Ensino – Metodologia.

Ano: 2019

“Eu quero desaprender para aprender de novo. Raspar as tintas com que me
pintaram. Desencaixotar emoções, recuperar sentidos. Há escolas que são gaiolas
e há escolas que são asas. Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros
desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle.
Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados
sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é
o voo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são
pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo,
isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não
pode ser ensinado. Só pode ser encorajado”. Rubem Alves.
A sociedade contemporânea está imersa em uma dinâmica rede de comunicação,
o que ocasiona mudanças nos modos de acessos à informação e ao conhecimento.
Neste contexto, a informação proporciona diferentes vivências no cotidiano dos
sujeitos e, segundo Castells (1999): […], um novo sistema de comunicação que fala
cada vez mais uma língua universal digital tanto está promovendo a integração global
da produção e distribuição de palavras, sons, e imagens de nossa cultura como
personalizando-os ao gosto das identidades e humores dos indivíduos. As redes
interativas de computadores estão crescendo exponencialmente, criando novas formas
e canais de comunicação, moldando a vida e, ao mesmo tempo, sendo moldada por
elas (CASTELLS, 1999, p.40).
É consenso entre os estudiosos de Educação que já não bastam informações
para que crianças, jovens e adultos possam participar de modo integrado e efetivo
da vida em sociedade. Informações repetidas, memorizadas, reproduzidas, geram
manutenção do já existente e colocam os aprendizes na condição de espectadores
do mundo. O mundo atual exige cada vez mais um profissional que pense, sinta e aja
de modo cada vez mais amplo e profundo, comprometido com as questões do seu
entorno.
Historicamente, a formação de profissionais está pautada em metodologias
conservadoras, fortemente influenciada pelo cartesianismo e, por isso mesmo,
fragmentada e reducionista. Nesse sentido, o processo ensino-aprendizagem
também está contaminado pela simples reprodução do conhecimento onde ao
discente cabe a reprodução e repetição do mesmo e ao docente o papel de transmitir
o conhecimento (MITRE et al, 2008). Faz parte das funções da escola contribuir para
que haja desenvolvimento de processos interativos que contribuam com mudança
desse quadro.
“O educador precisa saber que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar
as possibilidades para a sua produção ou a sua construção” (FREIRE, 2008).
A educação, bem como o processo educativo, deve ser orientada por metodologias
que permitam atender aos objetivos propostos pelos docentes. Conforme Nérice (1978, p.284), a metodologia do ensino pode ser compreendida como um “conjunto de
procedimentos didáticos, representados por seus métodos e técnicas de ensino”, esse
conjunto de métodos são utilizados com o intuito de alcançar objetivos do ensino e de
aprendizagem, com a máxima eficácia e, por sua vez, obter o máximo de rendimento.
As mudanças que ocorreram na forma de ensino com o uso das tecnologias,
os desafios impostos aos professores e as oportunidades com a inserção de novas
formas e meios, exige dos professores novos métodos de ensino. Volta-se a atenção
para as transformações da sociedade e a necessidade de modificar as tradicionais
formas de ensinar, de aprimorar constantemente as práticas e os saberes docentes
(VAILLANT; MARCELO, 2012).
As discussões acerca dos saberes docentes têm se intensificado nas últimas
décadas, e tornou-se objeto de pesquisas em todo o mundo. Tais estudos surgiram
como consequência à profissionalização do ensino e dos docentes, e remetem ao fato
destes saberes não se limitarem à transmissão de conhecimento aos alunos, mas
sim a um conjunto de fatores que são construídos e adquiridos com a formação e a
experiência, vivências e habilidades específicas adquiridas com o tempo (CUNHA,
2007; TARDIF, LESSARD, LAHAYE, 1991).
Conforme o entendimento de Tardif (2002), os saberes docentes são adquiridos e
construídos em um processo contínuo de aprendizagem, em que o professor aprende
de forma progressiva e, com isso, se insere e domina seu ambiente de trabalho.
Assim, não se pode dizer que os saberes docentes são constituídos por um conjunto
de conteúdo definidos e imutáveis.
Na concepção de Tardif (2002, p.18) o saber envolve além do conhecimento,
“saber- fazer bastante diverso”, provenientes de diversas fontes e de naturezas
diferentes, por esse motivo é considerado “plural, compósito, heterogêneo”. O autor
enfatiza ainda que o “saber está a serviço do trabalho”, pois os professores utilizam
diferentes saberes em função das condições, situações e recursos ligados a este
trabalho, visando enfrentar e solucionar diferentes problemas ou situações em seu
cotidiano.
Tardif (2000), considera que os saberes profissionais dos professores são
plurais e heterogêneos, e que isso se deve a três fatores. Primeiramente são assim
considerados porque provêm de diversas fontes, podem ser oriundos da cultura
pessoal do professor, história de vida e experiência escolar anterior, conhecimentos
disciplinares adquiridos na universidade, em sua formação profissional. Podem ser
também conhecimentos curriculares provenientes de programas, guias e manuais
escolares, e principalmente a experiência adquirida com seu trabalho.
Solange Aparecida de Souza Monteiro

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